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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Unção

Uma das palavras mais ouvidas em “evangeliquês” ultimamente é a palavra “unção”. As músicas e bandas evangélicas adoram usar unção. Em uma busca rápida, achei os seguintes nomes de grupos “gospel”: Ministério Unção, Nova Unção, Unção Ágape, Unção do Louvor e até Unção do Gospel Funk.

A música Muita Unção (de Elizeu Gomes, interpretado por Cassiane) diz em um trecho: “Já está nesse lugar, a unção que vai te abençoar; Vai mandar todo mal sair; E a benção Ele vai te dar;
Pense na unção, veja a unção, pregue na unção; Louve na unção, sinta a unção, ande na unção, Viva na unção, cheio da unção. Sinta a unção que acaba de chegar; Está caindo como chuva, está enchendo este lugar”.

Em outra de suas interpretações (A Unção de Deus, de Hemerson Poubel) a letra da música que Cassiane canta diz: “A unção de Deus, Está descendo aqui; Ela quebra o jugo, faz o inexistente, existir; A unção de Deus, Vai se espalhar; Exalte e glorifique, tem unção neste lugar, Unção! Ande na unção... Fale na unção... Transpire a unção... Exale a unção... Viva na unção... Sinta a unção”. Como é que é? Transpire a unção? 

Temos também um sem número de “ministérios” com unção: Ministério Crescendo na Unção, Ministério Unção Profética, Ministério Unção do Crescimento, Fogo e Unção e muitos outros. Achei até “Grupo Unção Capoeira”. Tem uma igreja que promove a “unção do dizimista” todo 3º domingo do mês. Fenômenos estranhos têm sido denominados: unção do riso, unção do leão, unção do cachorro e por aí vai.

O evangeliquês tem incorporado frases como: “a unção está neste lugar”, “estar na unção”, “pregador ungido” e “buscar a unção do Espírito”. O que significa tudo isto? Dá para se perder no meio de tanta unção. Será que unção significa bênção ou poder, como sugere seu uso no meio evangélico? A pergunta que poucos estão fazendo é: o que diz a Bíblia?

O significado original e literal de ungir é o ato de derramar óleo ou unguento. Nos tempos bíblicos o óleo tinha várias funções (além da de cozinhar). Era usado para hidratar a pele, tratar feridas e outras doenças e, misturado com ervas e essências, era usado como perfume, para embalsamar cadáveres e até como oferta aos deuses e a Deus. Estes são os casos em que há uso literal do óleo. Em outro artigo tratarei da unção de óleo para curas.

Mas existe um uso mais simbólico e figurativo, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo. No Antigo Testamento vemos que três classes de pessoas foram ungidas: sacerdotes (como Aarão e seus filhos, além de suas roupas e os móveis santos [separados] do tabernáculo), reis (como Saul, Davi, Salomão, Hazael e Jeú) e profetas (como Elizeu). Esta unção se dava no momento em que eram indicados, consagrados, separados ou empossados para assumirem uma posição. Na “cerimônia de posse” (as veze formal e às vezes informal) o óleo era usado como símbolo externo desta escolha e separação para uma função. Estes ungidos só o foram uma única vez. No contexto fica muito claro que a unção era uma separação dos outros afazeres para uma consagração (ou dedicação)exclusiva a uma função ordenada por Deus. O termo “ungido do Senhor” era usado para falar dos reis, especialmente nos livros históricos e Salmos.

Isaías 61:1 tem um uso interessante do termo. “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados;”. É uma alusão ao chamado e comissão de exercer um determinado ministério. Mas de quem é que se está falando aqui. O texto é profético e não identifica claramente de quem se trata. No entanto, Jesus esclarece tudo em Lucas 4:18 quando ele lê este texto na sinagoga e depois declara que este texto se cumpre na sua pessoa. Ele é o ungido pelo SENHOR para este ministério, o que, aliás, ele cumpriu.

No Novo Testamento aprendemos que Jesus é o Ungido do Senhor (At 4:26-27) e que Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo e com poder (At 10:38). É importante saber que os títulos que Jesus recebeu na Bíblia, Messias (do idioma hebraico) e Cristo (do idioma grego) têm o mesmo significado: “o Ungido”. Jesus veio a este mundo com um só propósito, se oferecer como propiciação pelos nossos pecados para nos salvar. Ele é o grande Ungido de Deus; separado e consagrado para fazer a vontade do Pai.

Vemos também no Novo Testamento que Deus é que unge o cristão, e isto possibilita que permaneçamos firmes em Cristo e que sejamos sua propriedade e tenhamos o Espírito em nossos corações (2 Co. 1:21-22). Em 1 Jo. 2:20-28 aprendemos que todos os cristãos têm unção da parte do Santo (Jesus, v. 20) e esta unção é permanente, verdadeira e ensina todas as coisas (v. 27). Jesus é o único que é mencionado como sendo ungido “com o Espírito”. Não há nenhuma referência à unção “pelo Espírito”. Os cristãos são ungidos por Deus e por Jesus, não pelo Espírito Santo. Portanto, todo o verdadeiro cristão já possui a unção permanente de Deus sobre a sua vida, isto é, fomos separados para ele para vivermos de acordo com a vontade dele em santidade de vida (separados das contaminações do mundo). Somos consagrados a ele.


Não é necessário buscar a unção, já somos ungidos. Vamos mudar o nosso vocabulário para refletir as verdades bíblicas em vez do “evangeliquês” que muitas vezes consumimos sem reflexão.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Jesus e o Espírito Santo


Sabemos que na Santa Trindade, três pessoas (Deus Pai, Jesus e o Espírito Santo) existem como um só Deus (uma só essência) em perfeita harmonia entre si. Neste artigo estudaremos a relação entre Jesus (encarnado) e o Espírito Santo.


Jesus é o único membro da Santa Trindade que tem natureza humana. Ele é cem por cento humano e cem por cento divino, ao mesmo tempo. O início dos evangelhos de Mateus e Lucas relatam como a natureza humana de Jesus passou a existir: o Espírito Santo veio sobre Maria (uma virgem) e ela concebeu (Mt 1:18, 20, 22; Lc 1:35). Jesus foi gerado em Maria pelo Espírito Santo. Isto permitiu que Jesus nascesse de linhagem humana, sem ato sexual e, ao mesmo tempo, que mantivesse a sua origem divina.

A primeira manifestação pública e visível da presença do Espírito Santo no ministério de Jesus aconteceu no momento em que foi batizado nas águas por João Batista (Mt 3:16; Mc 1:10; Lc 3:22; Jo 1:32). O céu se abriu e o Espírito de Deus desceu sobre Jesus em forma de pomba e a voz de Deus Pai foi ouvida do céu, colocando a Sua aprovação sobre Jesus. Este acontecimento teve, sem dúvida, um alto valor simbólico. Jesus estava para iniciar o seu ministério e era importante que todos soubessem que vinha como enviado de Deus Pai e no poder de Seu Espírito.

João Batista declara que este mesmo Jesus que foi batizado nas águas, batizaria com o Espírito Santo (Mc 1:8; Lc 3:16: Jo 1:33). Este “batismo” é o momento em que cada pessoa que recebe pela fé a Jesus Cristo, recebe ao mesmo tempo os outros membros da Santa Trindade, inclusive o Espírito Santo (Rm 8:9).

Os discípulos que conviviam com Jesus ainda não possuíam a dádiva do Espirito Santo habitando permanentemente neles (Jo 7:39). Isto só aconteceria depois da glorificação de Jesus (Sua ascensão) e da prometida vinda de outro Consolador – o que aconteceu no dia de Pentecostes (Jo 14:16, 17 e 26). Na oração sacerdotal, que Jesus faz em favor de seus discípulos, em um trecho Ele diz que enviaria o Espírito Santo da parte do Pai (Jo 15:26) e em outro trecho da mesma oração diz que o Pai enviaria o Espírito Santo em nome de Jesus (14:26). Fica claro que o envio do Espírito Santo é uma parceria entre Jesus e Deus Pai. Após sua morte e ressurreição, mas antes de Sua ascensão, Jesus sopra sobre os discípulos e estes receberam o Espírito Santo (Jo 20:22).

Algumas expressões são utilizadas para expressar o fato de que a vida e o ministério de Jesus eram caracterizados pela presença constante e dependência do Espírito Santo. Ele estava sobre Jesus (Mt 12:18; Lc 4:18). Jesus estava cheio do Espírito Santo (Lc 4:1). Ele agiu no poder do Espírito Santo (Lc 4:14), e expulsou demônios (Mt 12:28). Jesus era guiado (levado ou induzido) por Ele (Mt 4:1; Mc 1:12; Lc 4:1) e se exultou no Espírito Santo (Lc 10:21). Jesus deu mandamentos aos apóstolos por intermédio do Espírito Santo (At 1:2). Toda esta variedade de expressões e situações demonstra bem que o Espírito Santo estava sempre com Jesus e este fazia tudo pelo poder e intermédio do Espírito Santo. Este é o exemplo que Jesus da ao cristão de como deve viver sua vida: na plenitude e no poder e dependência do Consolador.

Apesar deste grande sinergismo entre Jesus e a pessoa do Espírito Santo, o foco foi e sempre será a pessoa de Jesus Cristo. O próprio Espírito Santo, Consolador que nos foi enviado pelo Pai e por Jesus Cristo, tem como função dar testemunho de Jesus Cristo, mantendo Ele como o centro de todas as coisas (Jo 15:26). Portanto, vamos reconhecer, sim, que o Espírito Santo tem uma função muito grande em nossas vidas e ministério, mas não deixemos de viver uma vida Cristo-cêntrica (Cristo no centro).